O icônico e, até então, conhecido como jardim central do Campus sede da PUC Minas passou por um processo de readequação estrutural como parte da revitalização – empreendida nos últimos anos pela Reitoria da Universidade – do claustro histórico que abrigou, entre os anos de 1927 e 1969, o antigo Seminário Coração Eucarístico de Jesus. O espaço de formação vocacional cristã, localizado na região Noroeste de Belo Horizonte, foi idealizado pelo primeiro arcebispo da capital mineira: Dom Antônio dos Santos Cabral (1884 – 1967).
E foi em homenagem a ele que, na tarde desta quarta-feira, 15 de outubro, o jardim recebeu um novo nome anunciado pelo Grão-chanceler da Universidade e Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, durante a celebração eucarística em ação de graças pelo Dia do Professor e do Funcionário e em memória de Santa Teresa de Jesus, virgem e doutora da Igreja.
Na homilia, Dom Walmor, expressando sua reverência e gratidão aos professores da PUC Minas que, para ele, qualificam a Universidade como um importante instrumento da Igreja no mundo da educação, ressaltou o trabalho significativo e de grande importância realizado pela Instituição. "Quero dizer aos professores que nós somos gratos pelo seu trabalho, por sua abnegação e dedicação aos que aqui estudam, nas várias áreas do saber, criando a condição bonita e importante, a mais importante do ser humano de, além de adquirir conhecimentos acadêmicos, científicos e técnicos, também adquirir uma sabedoria que ultrapassa tudo isso para nos fazer capazes de viver uma vida digna, uma vida cidadã e construirmos o sonho de uma sociedade justa, fraterna e solidária", afirmou o Grão-chanceler da PUC Minas.
A luz dourada característica do entardecer, iluminando as espécies nativas da flora brasileira que compõem o novo paisagismo, foi apontada por Dom Walmor como um presente de Deus e, assim como o usufruto do novo jardim, remete ao sonho e ao discernimento de Dom Cabral. "Damos graças a Deus por ele, reconhecendo o seu empenho em servir como pastor maior nesta Arquidiocese de maneira tão frutuosa cujos frutos permanecem nos inspirando em um caminho bonito e promissor. Basta contemplar esta tarde para ser tocado pela força do amor de Deus. Com a força da beleza nos comunica muito de Deus e nos convence de que é bom viver por amor e viver para amar, amar e servir", refletiu, convidando a comunidade universitária a um instante de profundo silêncio e de contemplação do jardim.
O Grão-chanceler auspiciou aos presentes um silêncio contemplativo fecundo da sabedoria necessária e que vem da graça de Deus. "Que nós possamos, como homens e mulheres, cidadãos e cidadãs, na nossa tarefa diária, contribuir para um mundo melhor, enquanto caminhamos para o reino definitivo. Que nossa contemplação nos faça sentir a beleza deste lugar e o que Deus nos quer comunicar", desejou.
Vida contemplativa
Considerada no Brasil a padroeira dos professores, Santa Teresa d'Ávila (1515 – 1582), O.C.D., foi lembrada por Dom Walmor como figura magnânima, reconhecida por sua obra e vida contemplativa. "Ela nos ensina nos seus escritos e, sobretudo no seu exemplo, o segredo da nossa vida: viver apaixonadamente por Cristo", explicou. Segundo ele, que citou a metáfora da videira e dos ramos presente na liturgia (Lc 11,42-46), quando escutamos o mestre Senhor falar no Evangelho compreendemos a grandeza de Sua obra, que nos convence do mais importante: "a experiência do amor fraterno. Que nós só podemos conhecer e viver genuinamente na medida em que nos tornamos íntimos de Cristo".
Dom Walmor também frisou, dirigindo-se aos professores, o chamado de construção de um caminho de conhecimento sobre si, a partir da virtude e da humildade, para que eles se torem instrumentos do amor de Deus no coração do mundo. "Somos chamados, portanto, a olhar para além de nós mesmos, para além das circunstâncias em que vivemos, chamados a olhar para além dos nossos interesses, a olhar para além daquilo que nos convém, com o olhar do amor. Para isso é preciso crescer nesta intimidade profunda com o Senhor. Não basta conhecer da ciência, dos saberes, é preciso que tudo isso concorra para o autoconhecimento. O orgulho e a soberba não nos permitem viver como servidores", advertiu, na intenção de que cada professor seja agraciado por Deus com o dom da sabedoria de conduzir vidas. Não apenas, ele recordou Santa Teresa, transmitir teorias ou informações, mas transmitir convicções e experiência. "Ela mesma diz: ensinar não é teorizar. A experiência mais importante que podemos transmitir, além das teorias nos vários campos do saber, é a experiência do amor, do amor a Deus acima de todas as coisas e do amor respeitoso e comprometido pelos semelhantes, os nossos irmãos e irmãs", pontuou.
Conceitos impregnam a alma
O Reitor da PUC Minas, Prof. Dr. Pe. Luís Henrique Eloy e Silva, concelebrante na ocasião, ao parabenizar os professores e funcionários, recordou a encíclica Ex Corde Ecclesiae, na qual São João Paulo II define os professores como depositários da identidade das Universidades Católicas. Não somente pelo que eles ensinam, mas naquilo que transformam na vida do outro.
Pe. Luís Henrique enfatizou que os servidores da instituição precisam ser portadores dos ensinamentos da fé católica, vivenciando o Evangelho de Cristo que transforma vidas, respeita o próximo, gera solidariedade, promove a fraternidade, a justiça e transforma os sonhos.
O Reitor também rememorou o processo de revitalização do Jardim Dom Cabral, desde a pesquisa histórica de imagens do projeto que deu origem ao complexo arquitetônico eclético-neocolonial. A revitalização do espaço, visando a promoção do encontro, da convivência e da inspiração da comunidade partiu de um conceito que transforma, impregna a alma, e foi desenvolvido por um minucioso trabalho de profissionais da Engenharia, da Arquitetura e do Paisagismo, resultando em um jardim múltiplo e equilibrado que, de acordo com Pe. Luís Henrique, conduz a uma visita à integridade do nosso próprio ser.