23/02/2026 09:00
O fundador e diretor executivo da empresa de inteligência de dados Quaest, professor Felipe Nunes, foi o convidado para ministrar a aula inaugural da Faculdade de Comunicação e Artes (FCA) e da Faculdade Mineira de Direito (FMD). A palestra, baseada no livro Brasil no espelho: um guia para entender o Brasil e os brasileiros, publicado por Felipe Nunes em 2025, foi realizada nesta segunda-feira, 23 de fevereiro, no Campus Coração Eucarístico, com mediação do secretário de Comunicação da PUC Minas, Prof. Dr. Mozahir Salomão Bruck. Na ocasião, o professor Mozahir também representou o Reitor da Universidade, Prof. Dr. Pe. Luís Henrique Eloy e Silva.
"Reunindo hoje os Cursos de Jornalismo e de Direito, este encontro expressa aquilo em que acreditamos como instituição: o diálogo entre saberes, o pensamento crítico e a responsabilidade pública da Universidade", disse a diretora da FCA, Profa. Dra. Adelina Martins de La Fuente. "Em um cenário marcado por polarizações, disputas narrativas e rápidas transformações sociais, pensar o Brasil contemporâneo é tarefa urgente, especialmente para quem atua na Comunicação e no Direito. Cabe a nós interpretar dados com responsabilidade, compreender dinâmicas sociais com sensibilidade e contribuir para o fortalecimento do debate público com ética, equilíbrio e compromisso democrático". Durante a abertura, a professora Adelina também falou sobre a importância da aula inaugural, que inicia o semestre letivo e também as comemorações dos 55 anos da FCA.
A diretora da FMD, Profa. Dra. Wilba Lúcia Maia Bernardes, afirmou que o intercâmbio de saberes, proporcionado pela colaboração das duas faculdades, "sempre permite abrir campos de interlocução e revelar inquietudes que nos movem a amplificar nossos horizontes de pesquisa. E, na perspectiva do nosso conferencista, a tentar reconhecer melhor nossa identidade, entender as demandas, as expectativas e os valores que permeiam a sociedade brasileira e no caso do Direito, que chegam às portas dos nossos tribunais".
Fazendo referência ao tema da palestra, o professor Mozahir refletiu que "nosso desafio, além de olhar para o espelho, é tentar entender o que nós somos. Dada a nossa diversidade, a riqueza da nossa conformação social e também as configurações e rearranjos que a gente tem passado. É uma história de muita riqueza, mas também de muitos conflitos". Sobre o livro, o secretário de Comunicação observou o nível de detalhamento e também as surpresas que encontrou ao longo das páginas, "em função das expectativas e imaginários que temos. E a ciência e a pesquisa são boas para isso, pois confrontam os imaginários e tentam trazer à realidade aquilo que é mais efetivo".
Brasil no espelho
Felipe Nunes iniciou a palestra com a pergunta: Brasil 2026 – Quem somos?. "Minha sensação, nos últimos anos, é que nós brasileiros, por muitas vezes, não nos reconhecemos quando olhamos no espelho porque há muitas transformações e mudanças acontecendo no Brasil de maneira muito rápida. Nós temos o privilegio e também o desafio de mudar muito rápido", ponderou.
Para explicar o tema, Felipe citou o cientista social Ronald Inglehart. "Ele descobriu que a cultura de uma sociedade é influenciada pela medida em que sua população cresce acreditando que a sua existência é segura ou insegura", disse. Segundo o palestrante, instabilidades econômicas e sociais tendem a criar gerações de conservadorismo. "Ao contrário, a pujança econômica, o desenvolvimento, pleno emprego, a riqueza, estabilidade física e econômica permite que sejamos mais abertos a experimentar valores".
Ainda abordando Inglehart, Felipe apresentou os dois principais eixos para analisar uma sociedade ou país: o primeiro, tradicional versus secular, e o segundo, sobrevivência versus autoexpressão. Dentro de ambas dimensões, os países aparecem no gráfico em diferentes espectros e, assim, é possível compreender melhor o Brasil e as mudanças que a sociedade vem enfrentando.