O texto está disponível em https://doi.org/10.34024/csr.2025.61.2.17396
Resumo: O trabalho na indústria de jogos digitais é atravessado por tendências inscritas no mundo do trabalho contemporâneo, apresentando uma particular combinação entre cultura, subjetividade e temporalidade. Pertencente a um dos setores mais qualificados do trabalho digital, ele explicita novas formas de extração de valor em ambientes de trabalho lúdicos, culturalmente motivados e marcados por uma temporalidade difusa, misturando trabalho e tempo livre. Nesse contexto, ocorre uma extensão e intensificação da jornada de trabalho, exemplificadas pelo fenômeno do crunch time. Utilizando uma literatura sobre as práticas de trabalho na indústria dos jogos digitais, bem como trechos de entrevistas semiestruturadas realizadas com trabalhadores dessa indústria, esse artigo reflete, partindo de uma crítica materialista do trabalho, sobre o conceito de precarização no trabalho digital e a vida profissional que está se gestando sob o neoliberalismo, além de apresentar alguns dos dilemas colocados por essa forma de acumulação flexível para a organização desses trabalhadores.