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O trabalho de pesquisa e o intercâmbio de pesquisadores em rede teve significativo crescimento nas duas últimas décadas, o que demonstra o quanto a atuação em rede de colaboração se destaca no cenário científico internacional. O dossiê temático da revista Studies in Higher Education, com o tema Re¬search Universities: networking the knowledge economy, publicado em 2013, reuniu estudos que apresentam a participação das redes colaborativas e seus impactos nos procedimentos de pesquisa, na interlocução teórica, demonstrando o potencial deste tipo de intermediação científica. De modo geral, as universidades são cada vez mais reconhecidas por sua capacidade de apoiar e agregar redes de pesquisas colaborativas. Esta capacidade de somar esforços científicos traduz-se em melhor visibilidade internacional e, por conseguinte, há um incremento na produção de conhecimento significativo para os países partícipes de cada rede, fortalecendo as relações institucionais dos grupos e núcleos de pesquisa, reconhecidamente centrais no desenvolvimento da pós-graduação, formando o que denominamos de Constelação Científica1.

Utilizamos o conceito de constelação, conforme formulado por Theodor Adorno (1995), para analisar situações de inovação aplicadas às ações da rede de pesquisa. Assim, para cada pesquisa que se forma na rede, há uma constelação diferente; para cada circuns-tância, tempo e lugar diferentes. Deste modo, as constelações de conhecimento são produzidas por dentro da rede de pesquisa, de forma intencional e deliberada, com vistas a resolver questões sociais prementes, no tocante aos direitos fundamentais e à atenção integral às infâncias e juventudes. Não ao acaso, partimos do princípio da interdisciplinaridade e do compartilhamento de aportes teórico-metodológicos, com o intuito de potencializar os estudos e conhecimentos, segundo os interesses dos pesquisadores oriundos de distintas instituições de ensino e pesquisa.

A Rede Emíli@ e os caminhos da investigação científica

Ao analisarmos o cenário acadêmico internacional, observamos que tem sido exigido do professor pesquisador a mediação entre suas aspirações pessoais de pesquisa e desenvolvimento científico e os interesses coletivos demandados pela sociedade, além de exigências próprias de cada contexto social e político e o financiamento da pesquisa em diferentes áreas. Neste sentido, a pesquisa colaborativa pode contribuir para a produção de conhecimento novo capaz de apresentar soluções para os problemas sociais específicos de cada país que compõe a rede, valendo-se das diferentes experiências vivenciadas pelos pesquisadores em colaboração.

A organização do trabalho intelectual por meio de redes internacionais e interinstitucionais, configura-se como um modo relativamente novo de formação social uma vez que, conforme analisa Castells (1999), as redes constituem uma lógica que se propagam por diferentes espaços sociais, alterando de forma importante, a operacionalização e os resultados dos processos da produção (acadêmica) e das experiências, redistribuindo assim o poder e impactando, de modo positivo, a cultura. Temos em mente que o desenvolvimento de tecnologias digitais da comunicação e da informação facilita a inserção das redes colaborativas em estruturas sociais de uma maneira nunca vista antes.

Compreendemos que a constituição de redes de colaboração interuniversitárias na produção de conhecimento tende a ultrapassar fronteiras institucionais, regionais e nacionais, as quais podem, a certo modo, limitar a compreensão de realidades pouco visualizadas em um cenário acadêmico mais amplo.

A pesquisa científica colaborativa vem sendo problematizada e valorizada no cenário internacional, desde o início dos anos 2000, sendo em certa medida, estimulada por agências de fomento e universidades, sobretudo no que diz respeito às discussões acerca da produção de conhecimento na pós-graduação, em torno da colaboração interuniversitária como parte indissociável das políticas públicas e de internacionalização da pesquisa, bem como da formação acadêmica inter e transdisciplinar.

No que diz respeito à internacionalização da pós-graduação, o trabalho em Rede auxilia na definição de estratégias de pesquisa, na produção compartilhada de conhecimento e na sua difusão, produz impactos sociais nas pesquisas com importantes aportes para a definição de políticas públicas, estimula a mobilidade de pesquisadores tanto no plano nacional quanto internacional, e demanda o financiamento de estudos com enfoque em problemas sociais emergentes.

No caso da formação acadêmica interdisciplinar, a Rede de pesquisa contribui para a produção e inovação de conhecimentos e compartilhamento de tecnologias, e no caso da Rede Emíli@, o foco recai também sobre as tecnologias educacionais, tendo como princípio a socialização de conhecimento para as novas gerações de estudantes e pesquisadores.

A colaboração científica, neste projeto, é entendida como uma condição fundamental da pesquisa e da formação de pesquisadores na sociedade contemporânea, apoiada na tríade ensino-pesquisa-extensão universitária. Com a proposição de uma rede de pesquisa da envergadura de Emíli@, procuramos responder às necessidades de superação da fragmentação na produção e difusão do conhecimento, dada sua abordagem intrínseca de inter e transdisciplinaridade.

Intentamos com a Rede Emíli@ portanto, potencializar as experiências dos docentes, dos pesquisadores e dos estudantes no âmbito da graduação e da pós-graduação, cujo sentido é o de fomentar novos conhecimentos por meio de investigações de impacto acadêmico e social, tendo as crianças e jovens como sujeitos privilegiados de nossas pesquisas e ações acadêmicas.

Assumimos desde a concepção da Rede Emíli@, o desafio de colaborar na constituição de um espaço acadêmico coletivo em que o trabalho de investigação científica compartilhado, assume o compromisso com a colaboração efetiva, de maneira a garantir a integração de indivíduos ou grupos a ela vinculados, sem desconsiderar que divergências e conflitos possam surgir no seu interior, mas que possam ser superados de modo dialógico e alteritário.


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