As universidades enfrentam grandes desafios na contemporaneidade para produzir conhecimento capaz de avançar rumo à Sustentabilidade. Tais mudanças conferem às Instituições de Ensino Superior (IES) um papel estratégico no desenvolvimento das sociedades. A PUC Minas, diante dessa realidade, em consonância com sua missão e considerando as diretrizes nacionais para as IES, propõe-se a discutir e a vivenciar a sustentabilidade por meio de ações diárias imbricadas na sua rotina operacional, mas também por meio de, dentre outras ações, uma política de extensão universitária, articulada com o ensino e a pesquisa, “em busca da construção de um projeto societário que permita, de forma efetiva, concretizar uma pauta de inclusão social, a formação cidadã e humanista, na perspectiva de desenvolvimento integral do ser humano” (PUC MINAS, 2006).
Nesse contexto, pude vivenciar em uma das unidades da PUC Minas a experiência de atrelar o saber científico às práticas diárias de gestão para fomentar ações de sustentabilidade no dia a dia do Campus. A sustentabilidade faz parte do “DNA” da PUC Minas Betim, cuja perspectiva, identidade e possibilidade de operacionalização foram incentivadas pela gestão superior do Campus, na pessoa do Prof. Eugênio Batista Leite, apoiadas pelos professores do Curso de Ciências Biológicas e áreas afins, por meio da idealização e condução da primeira “Comissão de Sustentabilidade da PUC Minas”. Esse projeto foi motivo de muita satisfação para todos nós e a mola propulsora para outras ações que ali germinaram.
Com um outro olhar, por meio das minhas atividades acadêmicas, tenho experimentado, de forma profunda e muito transformadora, a prática da sustentabilidade por meio da extensão universitária. As práticas extensionistas compõem, “aliadas ao ensino e à pesquisa, o princípio da indissociabilidade que rege as universidades, ressaltado no Artigo 207, da Constituição Federal de 1988. A articulação dessas três áreas viabiliza a relação transformadora que liga a Universidade à sociedade”. (PUC MINAS, 2018). Por meio de projetos de extensão, pesquisa-ação e participação ativa em comunidades socialmente vulneráveis, tenho tido o privilégio de realizar trabalhos interessantes em prol da sustentabilidade, mas, sobretudo, tenho percebido a minha evolução como pessoa e profissional da educação a partir dessas experiências.
Por fim, a partir da proposição do Papa Francisco, que em 2020 nos convidou a pensar em uma nova economia, chamada simbolicamente de “Economia de Francisco” (ANEC, 2021), temos que pensar em novos comportamentos, novas formas de agir e de fazer gestão, pois, segundo Francisco (2015) “não há duas crises separadas: uma ambiental e outra social; mas uma única e complexa crise socioambiental” (FRANCISCO, 2015b, n. 139). Torna-se, portanto, imperativo agregar, em uma perspectiva transdisciplinar, os princípios da Economia de Francisco no ensino, na pesquisa e na extensão, por meio de reflexões e ações, colaborando para formar agentes da transformação de uma forma crítica, que estejam empenhados em dirigir a economia para o bem-comum. (DEYBER, 2021). Assim, entendo não haver outro meio de transformarmos a sociedade, cuidar da nossa casa comum e garantir o futuro das próximas gerações sem nos preocuparmos com a sustentabilidade, promovendo discussões, teorias, mas, acima de tudo, atitudes e práticas cada vez mais sustentáveis.
Referências:
Associação Nacional das Escolas Católicas (ANEC). 2021. https://anec.org.br/acao/economia-defrancisco-e-clara#informacoes. Acesso em 10/09/23.
Deyber, I. (2021) https://www.pucminas.br/Pastoral/pensandobem/paginas/economia-defrancisco-uma-agenda-para-a-universidade.aspx. Acesso em 07/06/2023
Francisco, Papa. (2015 b). Laudato Si’: sobre o cuidado da Casa Comum. Disponível em:http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/encyclicals/documents/papafrancesco_20150524_enciclica-laudato-si.html. Acesso em: 10/09/23.
PUC Minas. (2006). Projeto Pedagógico Institucional PPI. Belo Horizonte/MG. PUC Minas (2018). Política de Extensão da PUC Minas. Belo Horizonte/MG.