22/06/2026 15:00
Teve início na manhã desta segunda-feira, 22 de junho, no Campus Coração Eucarístico, o XI Simpósio Nacional de Pesquisa em Educação (SINAPE), promovido pelo Programa de Pós-graduação em Educação (PPGED). Com o tema Ações Afirmativas e Educação Antirracista no Brasil, o evento reúne pesquisadores, docentes da educação básica e superior, estudantes de graduação e pós-graduação, gestores e profissionais da área para discutir desafios e perspectivas da construção de uma educação comprometida com a justiça social, a equidade e os direitos humanos.
Na mesa de abertura, representando o Reitor da Universidade, Prof. Dr. Pe. Luís Henrique Eloy e Silva, o pró-reitor de Pesquisa e de Pós-graduação, Prof. Dr. Martinho Campolina Rebello Horta, ressaltou que as ações afirmativas e a promoção da equidade são temas centrais para a pós-graduação brasileira e estão diretamente relacionadas às diretrizes do atual ciclo de avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).
Segundo ele, as ações afirmativas, de inclusão, permanência e acessibilidade de grupos historicamente sub-representados devem ser compreendidas como fundamentais para a pós-graduação. "Quando observamos as diretrizes da CAPES para o ciclo avaliativo atual, as ações afirmativas e de promoção da equidade são dimensões transversais, consideradas em todos os quesitos da avaliação. Discutir esse tema é extremamente relevante para os programas, para a Universidade e para a sociedade", afirmou.
Em sua fala, o coordenador do PPGED, Prof. Dr. Teodoro Adriano Costa Zanardi, destacou que o tema escolhido para esta edição reflete um compromisso institucional da Universidade e do Programa com a promoção da equidade e o enfrentamento das desigualdades sociais. "O simpósio expressa um compromisso institucional com a produção de um conhecimento socialmente comprometido com a democracia, a justiça social e o enfrentamento das desigualdades que ainda marcam a educação e a sociedade brasileira", destacou.
O coordenador ressaltou ainda que o evento é resultado de uma construção coletiva iniciada há alguns anos, a partir da criação do Grupo de Trabalho Ações Afirmativas do Programa, iniciativa que tem contribuído para ampliar as discussões sobre acesso, permanência e sucesso acadêmico, além das questões étnico-raciais na pós-graduação. Ele também agradeceu o trabalho da comissão organizadora, docentes, estudantes e colaboradores envolvidos na realização do simpósio.
Também compôs a mesa de abertura o assessor pedagógico da Pró-reitoria de Graduação, professor Robson dos Santos Marques, representando o pró-reitor de Graduação, professor Eugênio Batista Leite. Para Robson, as ações afirmativas constituem instrumentos fundamentais para ampliar oportunidades e promover inclusão em diferentes espaços sociais. “As ações afirmativas representam instrumentos importantes de ampliação do acesso e do sucesso acadêmico de grupos historicamente excluídos. A educação tem papel fundamental nesse processo, especialmente diante de desafios estruturais que ainda persistem em nossa sociedade”, destacou.
Conferência de abertura
Reconhecido por sua trajetória acadêmica e atuação na defesa dos direitos da população negra, Kabengele Munanga apresentou uma análise histórica sobre a implementação das ações afirmativas no Brasil e os fatores que contribuíram para o atraso do país na adoção de políticas de enfrentamento ao racismo.
Segundo o pesquisador, a persistência do mito da democracia racial dificultou o reconhecimento das desigualdades raciais e retardou o desenvolvimento de iniciativas voltadas para a promoção da equidade. "Eu acredito que esses atrasos têm a ver com a inércia do mito da democracia racial brasileira e a falta de vontade política radical dos dirigentes brasileiros. Como o Brasil poderia discutir o combate de um fenômeno que, de acordo com o mito, não existia?", afirmou.
Ao abordar o papel da educação na transformação desse cenário, Munanga ressaltou que a construção de uma sociedade mais justa exige mudanças profundas nos processos formativos e no modo como a diversidade é tratada nas instituições de ensino. Para ele, não basta reconhecer a existência do racismo; é necessário promover ações efetivas capazes de transformar a realidade. "Não basta a retórica, os discursos e a confissão do nosso racismo, que embora necessários para conscientizar e politizar, não são suficientes. É preciso passar para uma ação transformadora, cujos caminhos são conhecidos: as leis que funcionam, a educação e as políticas públicas, todas articuladas em torno de um projeto político de mudanças e transformações da sociedade", destacou.
O pesquisador também enfatizou a importância das Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008, que tornaram obrigatório o ensino da história e da cultura afro-brasileira, africana e indígena nas escolas. Para o pesquisador, essas legislações representam avanços significativos na construção de uma educação multicultural, comprometida com o reconhecimento das diferentes matrizes que formam a sociedade brasileira e com o combate às desigualdades raciais.
Sobre o XI SINAPE
Realizado nos dias 22 e 23 de junho, o XI Simpósio Nacional de Pesquisa em Educação promove conferências, mesas-redondas e sessões temáticas de apresentação de trabalhos, fortalecendo o diálogo entre pesquisa, políticas públicas e práticas educativas voltadas para a construção de uma sociedade mais democrática e inclusiva.
Confira a programação completa aqui.