Nesta quarta-feira, 29 de julho, foi realizada a conferência integrada da Pró-reitoria de Graduação (Prograd), Extensão PUC Minas e Pró-reitoria de Pesquisa e de Pós-graduação (PROPPG), com o tema Educação superior em transformação: políticas, avaliação e fortalecimento da tríade universitária. A atividade faz parte do Período de Avaliação e Planejamento, que marca o início do semestre letivo com momentos reflexão, avaliação e planejamento das ações acadêmicas da Universidade.
O Reitor da Universidade, Prof. Dr. Pe. Luís Henrique Eloy e Silva, durante a mesa de abertura, salientou que a PUC Minas já é uma grande universidade em vários aspectos. Como exemplo, citou o respeito que a PUC Minas tem tanto na sociedade mineira quanto brasileira; o título de maior Pontifícia Universidade Católica do mundo; os destaques nos rankings; e a boa reputação dos professores. Entretanto, segundo o Pe. Luís Henrique, a PUC Minas tem uma grande tarefa, que é uma missão da identidade da Universidade: fazer com que os alunos se tornem estudantes, e estudantes entendam cada vez mais a importância do ensino, da pesquisa e da extensão como dimensões constitutivas de uma competência profissional e consequentemente transformadora das realidades sociais nas quais estamos envolvidos.
Ao final do discurso, Pe. Luís Henrique aproveitou a oportunidade para fazer um convite para a participação na Celebração de Dedicação do Altar e da Capela Universitária Jesus Pão da Vida, que ocorrerá no dia 6 de agosto, quinta-feira, às 17h. O Grão-Chanceler e Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, presidirá a celebração.
"Ensino, pesquisa e extensão constituem o alicerce da missão universitária, promovendo a formação integral dos estudantes, a geração de conhecimento relevante e o compromisso permanente com a sociedade", afirmou o pró-reitor de Pesquisa e de Pós-graduação, Prof. Dr. Martinho Campolina Rebello Horta. "A tríade universitária, quando articulada de forma integrada, promove o ambiente acadêmico dinâmico e inovador, capaz de estimular o pensamento crítico, analítico e científico e impulsionar a produção, o compartilhamento e a transferência de conhecimento", elucidou.
Durante a solenidade de abertura, o pró-reitor de Graduação, Prof. Eugenio Batista Leite, explicou que o tema do evento traduz com precisão o momento que vivemos. "A educação superior no Brasil passa por importantes mudanças, impulsionadas pelos novos marcos regulatórios, pelos novos processos de avaliação e pela necessidade permanente de inovação e compromisso com a qualidade". Para ele, avaliar significa refletir sobre a nossa prática, reconhecer avanços, identificar desafios e planejar de forma coletiva os próximos passos da Universidade.
Segundo a pró-reitora de Extensão, Profa. Dra. Cláudia Venturini, a PUC Minas acredita que a qualidade da educação superior se constrói diariamente na integração entre o ensino, a pesquisa e a extensão. "É nessa articulação que a formação acadêmica ganha significado, que o conhecimento é produzido com rigor e que nossa atuação alcança as comunidades, os territórios e as pessoas que confiam em nossa missão", explicou.
Após a mesa de abertura, a programação da conferência seguiu com duas palestras, sendo:
- Política nacional de educação superior, com ênfase no objetivo estratégico fortalecimento da tríade universitária
- O que é qualidade na educação superior? Os novos instrumentos de avaliação, a universidade que somos e a universidade que queremos ser
Fortalecimento da tríade universitária
A primeira palestra da conferência discutiu o tema Política Nacional de Educação Superior, com ênfase no objetivo estratégico o fortalecimento da tríade universitária e foi ministrada pela Profa. Dra. Sandra Maria Antunes Nogueira, coordenadora de Extensão da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação (Sesu/MEC) e docente da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop)
Sandra Nogueira apresentou a Política Nacional de Educação Superior (PNEDS) desde o arcabouço normativo, regulamentar, legislativo e programático, passando pela dinâmica instituída de construção participativa da política e chegando aos objetivos, princípios e eixos considerados até o momento. "O objetivo é, principalmente, da escuta. Essa política tem sido construída no sentido de ampliar os espaços de troca e construção colaborativa", sintetizou.
Em seguida, ela apontou os princípios, objetivos e eixos para a educação superior, sendo eles:
- Princípios: formação integral, equidade, gestão democrática, território, sustentabilidade, desenvolvimento nacional, cátedra, cooperação e conexão social;
- Objetivos: formação integral, acesso e permanência, tríade universitária, inovação, internacionalização, integração sistêmica e impacto social;
- Eixos: regulação, acesso, financiamento, ensino, pesquisa e extensão.
Ao apresentar os instrumentos de operação pelos quais é possível operar a PNEDS, ela destacou os de:
- Regulação e avaliação (como exemplo, o Enade);
- Acesso e permanência (leis de cotas e inclusão digital, entre outras iniciativas);
- Financiamento (renúncia fiscal, fundo patrimonial e filantropia entre outros);
- Expansão (Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB), institutos federais, interiorização e marco regulatório da EaD);
- Pesquisa e inovação (Capes e CNPq, entre outros núcleos relacionados à inovação e à tecnologia social);
- Extensão (Inserção Curricular da Extensão, políticas territoriais, etc.).
Por fim, ela discorreu sobre a tríade universitária, definida pela indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. "A graduação precisa ser tão dinâmica quanto o mundo para o qual forma", afirmou Sandra, que destacou os currículos modulares, as metodologias ativas, a coerência na oferta – equivalência de qualidade tanto nas aulas presenciais quanto nas remotas – e a formação continuada como estratégias para o ensino.
Período de avaliação e planejamento 2026: qualidade na Educação Superior
Encerrando a programação do evento, o Prof. Dr. Pedro Henrique Menezes Ferreira, que atuou como diretor de Ensino, Pesquisa, Extensão e Pós-graduação da FAMINAS-BH até abril deste ano, ministrou a palestra O que é qualidade na Educação Superior? Os novos instrumentos de avaliação, a universidade que somos e a universidade que queremos ser.
Egresso da PUC Minas, onde concluiu a graduação, o mestrado e o doutorado em Direito, Pedro Henrique iniciou sua fala relembrando sua trajetória na Universidade e provocando o público a refletir sobre o conceito de qualidade. Segundo ele, o termo é amplamente utilizado, mas nem sempre compreendido em sua complexidade.
Ao longo da palestra, Pedro Henrique explicou que o ensino superior brasileiro vive uma mudança de paradigma. Se, nas últimas décadas, o principal desafio esteve relacionado à ampliação do acesso às universidades, o momento atual exige um esforço voltado à garantia da qualidade da formação oferecida pelas instituições. Para ele, essa transformação também passa pelos novos instrumentos de avaliação em discussão no país, que deixam de priorizar exclusivamente aspectos regulatórios e passam a considerar, de forma mais ampla, a experiência dos estudantes, os processos de aprendizagem e o impacto social gerado pelas universidades.
Durante sua exposição, o palestrante defendeu que a qualidade universitária não pode ser reduzida à infraestrutura, aos conceitos obtidos nas avaliações ou ao cumprimento de exigências legais. Segundo ele, esses elementos são importantes, mas não suficientes para atestar a excelência de uma instituição. "Qualidade não é apenas infraestrutura, não é apenas conformidade regulatória, não é apenas indicadores isolados e tampouco a importação de modelos pedagógicos completamente descontextualizados da realidade", afirmou, ao destacar a necessidade de considerar as especificidades de cada território e das comunidades atendidas pelas universidades.
Nesse contexto, Pedro Henrique apresentou as principais mudanças previstas para a nova política de avaliação da Educação Superior. Entre elas, destacou a adoção de instrumentos específicos para diferentes áreas do conhecimento, avaliações voltadas à experiência do estudante e maior ênfase na capacidade das instituições de promover transformações sociais. "A universidade que faz sentido é a universidade que consegue transformar. Se vocês me perguntarem o que eu entendo por 'qualidade', eu vou dizer que é a transformação", sintetizou.
O palestrante também ressaltou que a transformação social nasce da articulação entre ensino, pesquisa e extensão. Na sua avaliação, problemas reais das comunidades devem orientar a produção do conhecimento, permitindo que a universidade forme profissionais capazes de responder às demandas da sociedade e, ao mesmo tempo, contribuir para seu desenvolvimento.
Nesse cenário, segundo Pedro, o professor assume um papel ainda mais estratégico. "Hoje, o professor deixa de ser apenas um transmissor de conhecimento para transformar informação em conhecimento, conhecimento em competência e competência em propósito", afirmou. Para ele, em um contexto em que a informação está amplamente disponível, o docente passa a atuar como mentor, curador e inspirador da formação acadêmica e humana dos estudantes.
Ao encerrar a palestra, Pedro Henrique reforçou que os indicadores de qualidade devem ser compreendidos como consequência, e não como finalidade, da atuação universitária. "Uma universidade não transforma seu entorno porque tem excelentes indicadores de qualidade. Ela tem excelentes indicadores porque transforma seu entorno e a vida das pessoas", concluiu, defendendo que o verdadeiro compromisso da Educação Superior é formar pessoas capazes de transformar a realidade em que vivem.