28/07/2026 18:00
Os diversos pontos de contato entrea pesquisa desenvolvida pelos programas de pós-graduação e as coleções científicas do Museu de Ciências Naturais PUC Minas (MCN) foram tema da discussão conduzida pelo Prof. Dr. Henrique Paprocki, diretor do acervo, na tarde desta terça-feira, 28 de julho, durante as atividades da edição deste ano do Período de Avaliação e Planejamento. A série de palestras promovida conjuntamente pela Extensão PUC Minas e pelas pró-reitorias de Graduação (Prograd) e de Pesquisa e de Pós-graduação (Proppg) reuniu docentes, membros dos colegiados e NDES, coordenadores e a alta administração da Universidade para reflexões e palestras acerca da temática Educação Superior em Transformação: políticas, avaliação e fortalecimento da Tríade Universitária.
Com o título Da tese ao público: o Museu de Ciências Naturais como laboratório público da pós-graduação, o professor iniciou sua reflexão informando a plateia sobre os 15 mil visitantes recebidos pelo MCN nos dias da programação especial das férias escolares até o momento. A partir deste dado, ele provocou o público ao perguntar qual era o provável número de leitores de uma dissertação ou tese. "Mas e se essa pesquisa vira uma experiência pública ou uma oficina, quantas pessoas serão impactadas?", questionou o docente que também é curador da coleção de invertebrados.
Para ele, grande parte do conhecimento produzido pela Universidade não chega à sociedade e é preciso que seja feito um esforço coletivo entre os pesquisadores para que, além do combate ao negacionismo científico, o letramento científico propicie uma transformação social. E os números expressivos de visitantes do museu – que no último ano ultrapassou 100 mil visitantes – indicam a sede de conhecimento do grande público. "Temos que formar, desde pequenos, cidadãos que entendem e prezam a ciência como um dos avanços da humanidade", reforçou.
Uma nova pergunta
De acordo com Paprocki, ao mudar a forma como os programas de pós-graduação são avaliados, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) passou a demandar das Instituições de Ensino Superior (IES) mais do que um relatório das atividades desenvolvidas no âmbito dos programas. "Nesse novo paradigma, para ter impacto a atividade precisa estar vinculada à linha de pesquisa, com docentes, discentes e egressos identificados. Ela tem que ter um produto, indicadores e as evidências registradas. O nosso público não é o indicador, ele é a nossa capacidade de registrar esses indicadores. A atividade tem que ter alcance, provocar transformação", explicou.
Como exemplo das possibilidades de colaboração entre as áreas do conhecimento, Paprocki citou a pesquisa desenvolvida por docentes do Departamento de Odontologia a partir de um fóssil da coleção paleontológica do MCN. Para esse estudo, que identificou uma abertura incomum no maxilar de uma preguiça-gigante da espécie Nothrotherium maquinense, foram produzidas tomografias computadorizadas (Cone-beam CBCT) para mapear o fóssil em imagens 3D, com resolução microscópica, e, por meio de raio-x digital, o grupo de pesquisadores afirma ser possível inferir que as características anatômicas podem, ocasionalmente, ressurgir durante a evolução de uma espécie tendo, assim, implicações importantes para a validade taxonômica do gênero Nothropus.
"O nosso acervo virou uma pergunta científica, a pergunta virou colaboração, a colaboração virou artigo, o artigo gerou dados reutilizáveis e esse caso vai virar uma experiência pública nas nossas exposições para ensinar processos evolutivos para população. E ele tem continuidade em pelo menos dois projetos de mestrado e doutorado que continuam nessa parceria entre o nosso acervo e o Programa de Pós-graduação em Odontologia", afirmou Paprocki ao concluir que o museu oferece espaços, coleções, público, mediação e equipamentos, já os programas contribuem com as perguntas, os estudantes, os produtos, os indicadores e a captação de recursos que deixa como legado infraestrutura em um ecossistema de letramento científico.