01/07/2026 16:00
Os Programas de Pós-graduação em Ciências Sociais e em Geografia – Tratamento da Informação Espacial, em parceria com o Grupo de Pesquisa, Ensino e Extensão Juventudes, Política, Interseccionalidade e Território (Jupiter), promoveram na manhã desta quarta-feira, 1º de julho, a palestra Migrações internacionais na África: abordagens geográficas multiescalares. O encontro foi ministrado pela Profa. Dra. Catherine Fournet-Guérin, da Sorbonne Université (Paris, França), pesquisadora reconhecida internacionalmente pelos estudos sobre geografia urbana, mobilidades e dinâmicas territoriais em países africanos.
Com base em três décadas de pesquisas de campo realizadas em países como Madagascar, Moçambique, Senegal, Costa do Marfim, Marrocos e Tunísia, a professora apresentou uma análise crítica sobre as migrações no continente africano, questionando estereótipos difundidos sobre o tema.
Segundo a pesquisadora, o imaginário de que a África é um continente cujos habitantes migram predominantemente para a Europa não corresponde à realidade. Dados apresentados durante a palestra mostram que cerca de 70% das migrações africanas ocorrem dentro do próprio continente, sobretudo entre países vizinhos, impulsionadas por oportunidades de trabalho, estudos, atividades comerciais, conflitos e outras dinâmicas regionais.
Ao longo da exposição, a palestrante ressaltou que as migrações intra-africanas permanecem pouco conhecidas pelo público e frequentemente invisibilizadas pelos meios de comunicação internacionais. Para ela, compreender esses deslocamentos exige superar uma visão centrada apenas em crises humanitárias e fluxos migratórios para países ricos.
A pesquisadora também defendeu uma abordagem baseada nas experiências cotidianas dos migrantes. Em vez de analisar apenas estatísticas e grandes movimentos populacionais, ela propôs observar as trajetórias individuais, as formas de inserção nas cidades africanas e as estratégias construídas para reconstruir a vida em novos territórios.
Durante a apresentação, foram discutidos exemplos de comerciantes, estudantes, refugiados e trabalhadores que vivem em diferentes países africanos, evidenciando a diversidade das experiências migratórias. A professora destacou ainda que muitos migrantes se integram às economias locais, criam pequenos negócios e contribuem para a construção das cidades onde passam a viver, embora também enfrentem desafios como xenofobia, discriminação e violência em alguns contextos.
Ao encerrar a palestra, ela reforçou que as migrações africanas não podem ser compreendidas apenas pela perspectiva da vulnerabilidade. "Existem pessoas que sofrem, naturalmente, mas também muitas que fazem escolhas, constroem seus próprios caminhos e veem a migração como uma forma de emancipação", afirmou.
A vinda da professora Catherine Fournet-Guérin à PUC Minas foi viabilizada pelo projeto de internacionalização Sustentabilidade no cenário pós-pandêmico: desafios e contribuições (FAPEMIG-APQ-05058-23), desenvolvido no âmbito do Programa de Fomento à Internacionalização das Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação em Minas Gerais, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig). A iniciativa é mediada pela Pró-reitoria de Pesquisa e de Pós-Graduação (Proppg) e busca fortalecer a cooperação internacional, ampliando as oportunidades de intercâmbio científico e acadêmico para a comunidade universitária.