18/06/2026 13:00
Com título emprestado da obra de Pe. Pierre Teilhard de Chardin, SJ, a exposição O Fenômeno Humano: o caminhar da humanidade foi inaugurada nesta quarta-feira, 17 de junho, em solenidade realizada no auditório do Museu de Ciências Naturais PUC Minas (MCN), no Campus Coração Eucarístico. Idealizada pelo fundador do MCN, Prof. Dr. Cástor Cartelle, a nova mostra de longa duração apresenta os milhões de anos de evolução da espécie humana por meio de mais de 300 peças entre fósseis, reproduções, animais taxidermizados e esqueletos da fauna brasileira e exótica, distribuídas em uma área de 180m².
Presidindo a mesa solene, o Reitor da PUC Minas, Prof. Dr. Pe. Luís Henrique Eloy e Silva, destacou a importância do MCN para a cidade. Segundo ele, ao contrário do que muitas pessoas presumem, museus não são depósitos de coisas velhas, mas, sim, espaços privilegiados de memória e de visão, com características variadas, que reportam a um passado que constitui a todos. E a memória, de acordo com Pe. Luís Henrique, é o imaginário que guardamos e conservamos, enquanto a visão é aquilo que nos projeta para frente, para o futuro, para a inovação e para a transformação, que não são possíveis sem o conhecimento do presente e do passado.
Transformar ciência em experiência
O secretário de Cultura e Assuntos Comunitários da Universidade, Prof. Dr. Jorge Sündermann, ao agradecer o trabalho da equipe técnica do MCN composta por arquitetos, biólogos, artesãos e artistas que conceberam a estrutura e montaram os espaços da exposição, mencionou a competência e o cuidado com cada detalhe empenhados nas obras. "Vocês transformaram ciência em experiência, acervo em narrativa, objetos em encantamento. O carinho presente em cada gesto torna o nosso museu vivo e relevante. É um presente para nós e também para a posteridade", disse. O secretário também afirmou que a PUC Minas assumiu a missão de identificar, preservar e guardar artefatos significativos.
Eliane Parreiras, que participou da definição do projeto original da exposição quando estava à frente da Secretaria de Cultura de Belo Horizonte, refletiu sobre o papel fundamental de difusão do conhecimento e estímulo à pesquisa exercido pelo MCN. "Esse é o trabalho feito aqui, de incentivo à ciência, às culturas, à dimensão humanística que precisamos trabalhar todos os dias na nossa sociedade", afirmou, ao se referir ao esforço coletivo que resultou na exposição.
Representando o procurador-geral de Justiça de Minas Gerais, Paulo de Tarso Morais Filho, Adilson de Oliveira Nascimento pontuou que o projeto da exposição, do qual também faz parte a produção do documentário A Fonte Cástor (2026), foi financiado pelo Ministério Público (MPMG) por meio de um fundo resultante de valores e bens oriundos de termos de ajustamento de conduta e condenações judiciais. "A sociedade que não cuida do patrimônio histórico, cultural, arqueológico, paleontológico remete ao esquecimento a sua origem", frisou.
Ecossistema de letramento científico
A secretária municipal de Cultura da atual gestão da cidade, Cida Falabella, para quem a ciência e a arte são próximas e possuem linguagens interligadas, defendeu os museus como espaços vivos de criação e compreensão do mundo. De acordo com ela, exposições como esta são fundamentais para, de forma lúdica e imersiva, mostrarem às pessoas o valor da ciência e a urgência do cuidado ambiental.
O diretor do Museu de Ciências Naturais, Prof. Dr. Henrique Paprocki, ao explicar o processo de elaboração e as decisões tomadas ao longo da concepção da exposição, pontuou a relevância da divulgação científica como um gesto de cidadania. "A ciência nos ajuda a combater o preconceito, a discriminação, ajuda a enfrentar terraplanismo e o negacionismo científico que empobrecem o debate político e ameaçam a vida, uma exposição sobre a evolução humana é, portanto, também uma exposição contra o preconceito, quando compreendemos nossa ancestralidade comum, fica mais difícil negar a humanidade do outro", refletiu.
Na ocasião também foi exibido o documentário que retrata a vida e a obra do Prof. Dr. Cástor Cartelle, fundador do MCN e um dos mais importantes paleontólogos do país. Emocionado, Cartelle compartilhou que a inspiração para a exposição veio, além de uma conversa com o seu pai sobre os horrores da guerra, também da interpretação contida na obra de Pe. Pierre Teilhard de Chardin, SJ, na qual o padre jesuíta propõe uma síntese entre evolução e fé. "É esse o sentido que eu gostaria que a exposição transmitisse, que a humanidade foi feita para receber o filho de Deus", concluiu.
A exposição O Fenômeno Humano: o caminhar da humanidade pode ser visitada de terça-feira a sábado, das 9h às 17h. Os ingressos podem ser adquiridos pelo site museu.pucminas.br ou na bilheteria local.