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Lançamento do e-book A Memória Por Vir: mídia e processos identitários

O grupo de pesquisa Mídia e Memória: construção de identidades, do Programa de Pós-graduação em Comunicação Social, lançará nesta sexta-feira, 1º de dezembro, o e-book A Memória Por Vir: mídia e processos identitários, organizado pelos professores Mozahir Salomão Bruck e José Maria de Morais e o ex-aluno do mestrado Max Emiliano Oliveira. O lançamento será às 14h, na sala multimeios (3º andar) do prédio 42, Campus Coração Eucarístico.

O livro é resultado das discussões do Seminário Mídia e Memória, que ocorreu em maio de 2017, na PUC Minas, organizado pelo grupo de pesquisa, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).  Constituída de artigos de professores convidados e de pesquisadores do grupo, a obra tem como objeto de reflexão a memória nas narrativas midiáticas e em seus diversos aspectos: histórica, social, memória biológica, artificial, declarativa e não-declarativa, episódica, entre tantas outras possibilidades.  Da perspectiva social à neurológica, o horizonte semântico é diverso e revela, frontalmente, uma preocupação quanto ao sentido e usos desse termo. O livro é uma tentativa de perspectivar essa noção, tensionar seu estatuto teóricometodológico e regimes de uso e acionamento.

Memória é matéria-prima*

Organizado em duas partes, o livro traz na primeira parte os textos-resumos das conferências dos professores convidados. É um relato dos aspectos centrais, das inscrições teóricas e táticas dos articulistas.

O professor Bruno Vasconcelos de Almeida, vinculado ao Programa de Pós-graduação em Comunicação e Departamento de Psicologia da PUC Minas, investiga as relações entre memória e subjetividades. Dedicado às passagens entre memória corporal e sensações, sua argumentação parte do território da filosofia para pensar o problema da memória.

Denilson Lopes, do Programa de Pós-graduação em Comunicação e Cultura da UFRJ, toma como objeto o curta-metragem A festa e os cães (2015), do realizador cearense Leonardo Mouramateus. Lopes está preocupado com a imagem e os afetos, com o que não existe mais. Seu ensaio é presidido por um misto de dor e beleza diante daquilo que não se pode evitar.

No relato Temporalidade e midiatização: sobre origem, jornalismo e um tiro de misericórdia, Elton Antunes, docente do PPGCom UFMG, busca aproximar as noções de memória, temporalidade e midiatização. Os acionamentos da memória, afinal, não são aleatórios: o interesse de Antunes são as narrativas jornalísticas, quais engendramentos são possíveis, aquilo que nomeia como experiência jornalística.

Em seu relato, Herom Vargas, docente da Umesp, mostra-nos, a partir de músicas como Pelo telefone e Linha de passe, as traduções do samba, desde suas origens até versões eletrônicas. Sua visada teórica é a semiótica da cultura e a memória da cultura nas mídias.

Irene Machado, professora da USP, aborda o conceito persistência do cinema, sintetizado por D. N. Rodowick. Por meio desse operador, considera o cinema como um campo de transformações históricas e culturais; o espaço cinemático, afinal, é uma hibridização de formas e processos.

A segunda parte da obra reúne os artigos produzidos pelos pesquisadores diretamente ligados ao grupo de pesquisa. A escritura levou em consideração as discussões nas reuniões do GP e as questões levantadas durante a apresentação dos papers no seminário. É um modo, portanto, de qualificar o texto, circunstanciar o objeto e contribuir para o estado da arte sobre memória.

O texto O testemunho no audiovisual comunitário: a construção de uma memória coletiva das favelas cariocas, de autoria da professora Lilian Saback, da PUC Rio, analisa os curtas Sou quem sou (2007) e Esperança – meu direito à vida (2008), isto é, o testemunho como configurador de memórias e autorrepresentação. Para tanto, apoia-se em referências importantes, como Beatriz Sarlo, Maurice Halbwachs e Jacques Le Goff.

Bruna Santos Vida, mestra em Comunicação e Jeane Moreira, mestranda em Comunicação, ambas pelo PPGCom PUC Minas, elegeram o filme Jackie (2016) como objeto de análise. Por meio de operadores conceituais como memória coletiva, acontecimento e narrativas midiáticas (sobretudo jornalísticas), as articulistas apresentam sólida contribuição teórica e analítica acerca das relações entre narrativas midiáticas, biográficas e memória.

Os professores do Departamento de Comunicação da PUC Minas Lúcia Lamounier Sena e José Maria de Morais mobilizam as ligações entre circuitos midiáticos, crime e memória: como a prisão de Danúbia de Souza Rangel, no Rio de Janeiro, em 2011, instaura uma complexa rede de sentidos entre julgamentos morais, visibilidade e silenciamento.

No texto Memórias de uma história: (re)construções sobre lacunas, Sandra Sato produz um gesto de volta: as incursões sobre o passado são carregadas de impureza; o olhar do sujeito, afinal, efetua um enquadramento falível e fragmentado. Sua empiria, o livro HHhH, de Laurent Binet, serve de reagente de uma análise sobre o passado por meio de narrativas.

A professora de fotografia da PUC Minas Adriana de Barros Ferreira Cunha investiga a produção fotográfica contemporânea por meio da noção de fotografia expandida, um processo de hibridização de suportes e mesclagem de técnicas e procedimentos. Afastando uma ideia geral de releitura, as imagens desse movimento condensam sua dinâmica de captura e realização, têm textura e parecem palpáveis.

De nuance epistemológica, o ensaio de Max Emiliano Oliveira aproxima as noções de memória e linguagem, perspectivando as modulações entre esses fortes conceitos. Existe uma memória discursiva, um já-dito que liga os discursos em circulação, cada palavra dita.

Mozahir Salomão e Rennan Antunes trazem importante discussão sobre o potencial dos perfis como gesto biográfico no jornalismo. É uma visada nocional acerca de como o jornalismo se vale dos relatos memorialísticos, nomeadamente os perfis, como estratégia de buscar aproximar-se de modo mais efetivo do real imediato.

Já Clara Isabel Costa nos traz potente discussão acerca da memória e da reinscrição do acontecimento jornalístico. Busca observar como a construção do acontecimento discursivo do podcast Serial relaciona a atividade mimética e o enquadramento da memória, a partir de análise da dimensão narrativa pelos conceitos de tríplice mimese de Paul Ricoeur e da dupla vida do acontecimento de Louis Quéré, além de relacioná-los com as noções de memória e produção discursiva de sentido trabalhada por Michel Pêcheux e Pierre Achard.

Sobre o Grupo de Pesquisa

Constituído em 2016, o Grupo de Pesquisa Mídia e Memória conta com 25 pesquisadores e estudantes (da graduação e pós-graduação, oriundos de várias universidades). As linhas de pesquisa concentram estudos desde a cristalização de conceitos como memória individual e coletiva até os modos de inscrições midiáticas da memória. No segundo semestre de 2016, o GP se dedicou à formação de um estofo teórico acerca da memória; em 2017, as discussões orbitam em torno dos processos de constituição das identidades e temporalidades.

 *Texto extraído da apresentação do livro