Entrevista

"O aluno é o centro de tudo aquilo que o ICEG faz." -

Entrevista com o Prof. José Chequer Neto, diretor do ICEG.

O prof. José Chequer Neto, que desde o início de fevereiro assumiu a diretoria do Instituto de Ciências Econômicas e Gerencias da PUC Minas, é aquilo que se poderia chamar “Prata Da Casa”. Isto porque está na Universidade desde que se graduou em Administração e Ciências Contábeis. Depois, tornou-se professor e foi coordenador do curso de Administração, além de criar diversos programas de pós-graduação em marketing. Para suceder a profª Ângela Cupertino no comando do ICEG, deixou a área de marketing de relacionamento da PUC Minas. Na entrevista abaixo, estão os planos de Chequer para incrementar ainda mais ICEG.

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Pergunta – Como o senhor vê a situação atual?

R – A pandemia do Covid-19 tem sido uma tragédia para o mundo inteiro. No Brasil, a dimensão da catástrofe é terrível. Famílias perdendo pessoas queridas. Neste último domingo (20/09/2020), o País somos nada menos que 136.895 mortes. Isso é extremamente triste. Além disso, há a economia, que nos preocupa a todos. Como todos sabemos, ela já vem sofrendo o impacto deste flagelo. Contudo, acredito que o que está aí irá nos trazer mudanças capazes de beneficiar a humanidade. A ciência se desenvolve, novas tecnologias são propostas e o mercado, que nos interessa a todos do ICEG em razão das profissões que escolhemos, irá responder às dificuldades buscando um novo ponto de equilíbrio. A história nos mostra que foi assim no passado. A capacidade do ser humano de ultrapassar seus limites é real e eterna. Muita coisa boa irá surgir do que vivemos.

P – Mas qual sua opinião sobre a situação no ensino e na PUC Minas? 

R – Creio que a PUC Minas interrompeu as aulas presenciais no momento certo. O que prova que isto é verdade é o fato de que a proporção de infectados pelo Covid-19 entre alunos, professores e funcionários está bem aquém da sociedade como um todo. Além disso, soubemos responder de maneira eficiente a situações completamente inéditas, com a intensa dedicação de professores e funcionários e a implantação de tecnologias de ponta da área da educação.

P – O senhor está falando do Regime Letivo Remoto?

R – Sim. A utilização de plataformas como o Canvas e o Teams possibilitaram que um prejuízo que parecia inevitável fosse transformado em ganho. Com ela, além de não sofrermos perdas no que se refere à produção de conhecimento, pudemos aprender novas coisas. Alguns processos que vivemos hoje vieram para ficar. Quando as autoridades sanitárias responsáveis autorizarem a volta com segurança às aulas presenciais, muitos desses processos praticados pela PUC Minas durante a pandemia permanecerão.

P – O senhor começou na direção do ICEG em uma situação atípica...

R – Mas isso também serviu para mostrar que é preciso agir de maneira determinada em busca de transformação. Sinto muita falta contato do rico e diário com alunos e colegas. Do abraço amigo, do aperto de mãos. Creio que, sem dúvida, esta é a parte negativa deste processo. Contudo, a convivência não foi interrompida. Ao contrário, ela foi incrementada. Para buscar soluções, ter novas ideias e definir projetos capazes de fazer frente à nova realidade, foi preciso reunir mais, debater mais, ouvir mais, pensar mais. O resultado é que o ICEG é, hoje, um instituto diferente. Paradoxalmente, o Covid-19 conseguiu nos unir mais. E temos muitas propostas a serem feitas e implementadas. O site em que esta entrevista será publicada, por exemplo, é uma delas.

P – E então, vamos falar destas propostas. Quais são as principais?

R – A ideia, que já vem sendo implementada em um Plano de Desenvolvimento Institucional que foi criado, é que três premissas serão orientadoras de todo um trabalho dentro do nosso Instituto. As reuniões estão sendo realizadas. Já chamamos as pessoas e lhes oferecemos novas perspectivas e tarefas para incrementar ainda mais o ICEG, trazendo mais e maiores benefícios para todos – alunos, professores e funcionários.

P – E quais são essas três propostas?

R – A primeira delas trata da perenização e sustentabilidade dos cursos em todas as ofertas. O que se deseja aqui é garantir o espaço de trabalho dos professores e, como não poderia deixar de ser, perenizar a oferta dos cursos do ICEG nas unidades da PUC Minas em que eles estão instalados. A segunda premissa é pensar sempre em diferenciais competitivos elegíveis em cada curso.

P – Qual o significado de tais diferenciais?

R – O que se deseja com isso é diferenciar nossos cursos daquilo que ordinariamente o mercado oferece. Ou seja, nós queremos evidenciar nosso DNA. É preciso mostrar ao mercado que possuímos uma essência. Isso tem que ficar claro também para nossos alunos. 

P – Trata-se de um desafio...

R – Sim. Nós queremos apostar em desafios. É vencendo-os que conseguiremos ir além. Nesse caso específico, para que nossa essência se torne evidente, é necessário que o aluno perceba, nas estruturas curriculares vivenciadas por ele próprio em seu percurso acadêmico, porque somos esta instituição de ensino ímpar, uma das maiores do País. O desafio aqui é aperfeiçoar o DNA PUC Minas. Um código genético que já existe e é sinônimo de qualidade e competência. 

P – E a terceira premissa, qual é?

R – É algo básico, mas de enorme importância. Trata-se de garantir, para nós mesmos e para nosso público, que temos a melhor aula possível. E a melhor aula possível é uma realidade que se conquista com treinamento, reciclagem, desenvolvimento tecnológico e novas metodologias de ensino. Tudo isso sustentado e apoiado por técnicas, processos e instrumentos avançados, inovadores.

P – Como tais premissas chegarão aos estudantes e professores – à sociedade?

R – A partir de um conjunto permanente de ações que já estão sendo pensadas. E isso não vai demorar muito, pode ter certeza.

P – Como você enxerga o momento atual no que se refere à educação superior?

R – A época é de virada, de transformação. Não só no ICEG, mas no ensino superior como um todo. Tudo está mudando e é preciso ter em mente que, em um momento no qual este ensino se torna extremamente competitivo, é necessário assumir um papel de criar qualidades capazes que nos sustentar. Hoje, a grande questão vislumbrada pelo ICEG, este instituto que tem mais de 5.500 alunos, é perseguir uma identidade capaz de criar, como já disse, um diferencial competitivo que seja a marca registrada no diploma do nosso aluno. Neste cenário pulverizado e concorrido, o estudante corre o risco de se iludir com propostas de pouco valor. Geralmente, isso acontece porque ele não possui informação adequada fara realizar a melhor escolha universitária. 

P – E qual o papel de instituições tradicionais como a PUC Minas neste quadro tão complexo?

R – Quando comparamos com a totalidade da oferta de ensino universitário no Brasil, constatamos que universidades como a PUC Minas são poucas. Nossa responsabilidade é maior. Por isso, o objetivo é fazer com que nossos cursos sejam identificados a partir de qualidades capazes de diferenciá-los das ofertas existentes. 

P – E como fazer isso?

R – Não é tão difícil. Antes de qualquer coisa, é preciso apenas mostrar o que somos. Mostrar que estamos posicionados entre as principais universidades brasileiras em rankings como o RUF, da Folha de São Paulo. Os dados deste ranking mostram que somos uma das instituições preferidas pelos empregadores quando contratam. Ou seja: o aluno da PUC Minas, possui altíssimo grau de empregabilidade no mercado.

P – E o que mais?

R – Não podemos esquecer que temos história e tradição, atributos que levam as empresas a escolher o estudante que formou na PUC Minas na hora de formar sua equipe. E mais: estamos entre as mil maiores universidades do mundo hoje. Tudo isso nos confere grande vantagem competitiva. Não apenas para a PUC Minas, mas, principalmente, para o estudante que nela se forma. Então, a receita para continuar crescendo é tornar ainda mais visível uma marca reconhecida que está em cada diploma emitido pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.

P – Além de estar no diploma, esta marca não estaria também na vida desse aluno?

R – Sem dúvida alguma. E é muito bonito a gente ver como isso acontece. As pessoas passam a levar o nome da instituição que colaborou para sua formação como uma espécie de sobrenome. É como se eu dissesse: o João, de Oxford; a Maria, da PUC Minas. É uma alcunha. Você ganha aquilo como uma marca registrada. Algo único, que passa a ser reconhecido pelo mercado. Essa é a grande diferença.

P – Quais os desafios a serem enfrentados no sentido de oferecer ainda mais visibilidade a esta marca?

R – Quando pensamos em um projeto de ICEG, imaginamos que seja possível, a partir de competências internas, desenvolver grandes frentes de atuação. 

P – Quais são elas?

R – A primeira delas é a garantia de sustentabilidade de nossos cursos ao longo dos anos. Queremos perenizar os cursos de Administração, Contábeis e Economia, mostrando para a sociedade que o ICEG é eterno, digamos assim. O segundo aspecto é que precisamos, cada vez mais, criar diferenciais que mostrem, não só aos nossos alunos, mas também ao mercado de trabalho, a qualidade da formação que a PUC Minas oferece, com um nível de competência extraordinário. Na prática, isso tem a ver com a internacionalização dos nossos currículos. 

P – O que isto significa? 

R – Atualmente, a PUC Minas possui um setor de Relações Internacionais totalmente consolidado. São mais de 160 renomadas instituições de ensino superior no mundo inteiro que já são parceiras da nossa universidade. Entretanto, nós usamos pouco desse benefício. Então, o objetivo é internacionalizar nossos currículos e oferecer ao estudante a possibilidade de ter uma titulação dupla. Um diploma validado pela PUC Minas e por nossa parceira no exterior. 

P – Como você vê a questão do empreendedorismo?

R – Neste ponto, a conversa precisaria ser mais longa. É que estamos falando sobre o futuro do trabalho nas organizações. São vários pontos a serem abordados. No que diz respeito, por exemplo, às novas relações trabalhistas, elas estão em um processo de transformação. Para o bem e para o mal. Isto significa que cada um deverá carregar dentro de si, uma atitude empreendedora, porque, antes de mais nada, a pessoa vai empreender a sua própria profissão e vai, por consequência, transformar-se em alguém desejado pelo mercado. É inegável que a atividade empreendedora tem surgido como uma opção estratégica muito interessante para todas as carreiras. Tanto é que você vê que empreendedorismo é uma disciplina que faz parte da estrutura curricular dos principais cursos da Universidade. Hoje, você precisa empreender para ser administrador, engenheiro, publicitário, advogado... Todo mundo busca, através do empreendedorismo, uma opção de montar o próprio negócio. O que muitas vezes falta é uma orientação metodológica para que isso de fato aconteça.

Ideias empreendedoras nascem e morrem todo dia. Ou porque falta incentivo, ou porque falta orientação. Por isso, a necessidade de o empreendedorismo ser levado a sério no ICEG. A ideia é acompanhar cada momento dessa atividade que veio para ficar.

P – E não basta empreender, é preciso cultivar um perfil empreendedor...

R – Exatamente. Hoje, as organizações, em sua maioria, não contratam mais um funcionário por vínculo burocrático de trabalho. Elas desejam uma geração de resultados que pode ser encontrada na iniciativa empreendedora. O que se deseja é um profissional capaz de abraçar um objetivo que foi formulado e transformá-lo em um plano de ação. O funcionário com perfil burocrático está em extinção. As organizações querem hoje profissionais que sejam proativos, que mostrem como melhorar o negócio da empresa. Trata-se do sujeito que, primeiro, empreende dentro da empresa e, depois, em algum momento, pensa em empreender para si mesmo. 

P – Qual será a posição do ICEG sobre a virtualização do ensino superior? Que vantagens você enxerga nisso?

R – Creio que este é um processo inexorável. Não tem volta. Não só aqui, mas na PUC Minas como um todo, sempre estaremos ligados nesta questão. Entretanto, o grande desafio no ICEG neste sentido é transformar a sala de aula. Estamos falando de novas tecnologias. É muito interessante que tenhamos uma universidade no século XXI, porque os alunos já são digitais. É necessário que nosso conteúdo seja cada vez mais aplicado a partir de novas tecnologias, novas formas, novos modelos didáticos, aulas invertidas, aluno como centro da atividade empreendedora etc. Nós queremos ver tudo isso como uma ação presente. Assim, nosso principal desafio talvez seja transformar a sala de aula em um espaço mais alinhado com o perfil do aluno que está chegando.

P – Em sua gestão, o aluno pode esperar ações do ICEG nesse sentido?

R – Certamente. Como já disse, este é o terceiro tripé do nosso plano de ação. O primeiro, criar a sustentabilidade dos cursos do ICEG; depois, eleger diferenciais competitivos, via internacionalização ou da atividade empreendedora. Finalmente, este é ponto que você mencionou agora: produzir, aqui no ICEG, cursos mais contemporâneos, buscando sempre tecnologias e metodologias de ensino e aprendizagem mais modernas, atuais e avançadas.

P – E a pesquisa? Como ela acontecerá sob sua gestão?

R – A pesquisa universitária é parte essencial de nosso projeto. Queremos aproximar, cada vez mais, o programa de pós-graduação em Administração das graduações. Isso quer dizer, basicamente, buscar um trabalho mais alinhado com um stricto sensu que possui nada menos que conceito cinco do MEC. Nossos alunos podem e devem se beneficiar disso ao criar linhas de atuação em que eles mesmo possam se engajar, encontrando-se como pesquisadores e multiplicando a própria qualidade do curso.

P – Que recado você daria para a comunidade acadêmica?

R – Todo momento de mudança, muitas vezes, traz consigo uma certa tensão sobre o que muda, como ficam os trabalhos feitos por cada um... Na verdade, a minha chegada à diretoria do ICEG não traz consigo mudanças estruturais. O que passa a existir é um novo projeto para qual queremos a participação de todos. E este projeto é de crescimento, desenvolvimento. Para reverberá-lo precisamos que cada um ofereça seu melhor. Os benefícios de um ICEG cada vez mais forte, grande e dinâmico são para todos.

P – E para o aluno, qual o seu recado?

R – Nosso aluno é a verdadeira razão de todo este projeto. Ele é o eixo central, o ponto focal de tudo que a gente faz e pretende fazer. Então, o que posso dizer para o aluno é, sobretudo, que ele veja o ICEG como um ponto de apoio para sua transformação pessoal e profissional. Queremos que a vida do aluno se transforme a partir daqui. Que, ao entrar em nossos cursos como calouro, ele tenha todas as condições para desenvolver seu aprendizado. Queremos também que ele tenha as melhores condições de pesquisa, que ele se engaje em nossos belos projetos de extensão. Desejamos, antes de qualquer coisa, que ele tenha a universidade como sua referência permanente. Abrir a porta do mercado de trabalho é um dos principais objetivos de uma universidade. Mas ela deve funcionar também como uma ponte que conduzirá o estudante para um crescimento que é também humano, espiritual. Hoje, a gente fala muito da “Economia de Francisco”. Nessa mesma pegada, a PUC Minas e o ICEG acreditam que os homens e mulheres que aqui se formarem serão capazes de construir um mundo melhor para todos.

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