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19/04/2022 15:00

 

O rompimento da barragem B1 da mineradora Vale, na mina do Córrego do Feijão em Brumadinho, ocorreu em 2019 levando a um grande número de vidas humanas perdidas, impactos sociais, econômicos e ambientais. O rompimento da barragem afetou a ictiofauna do rio Paraopeba (Bacia do São Francisco), mas, de acordo com o professor Daniel Carvalho, nenhum estudo avaliou o impacto no recrutamento de peixes após seu rompimento. Dessa forma, o estudo Identificação DNA metabarcoding de ovos e larvas do Rio Paraopeba no período pós rompimento da barragem B1 em Brumadinho, que teve a participação dos integrantes do Programa de Pós-graduação em Biologia de Vertebrados da PUC Minas Aloma R. C. Silva; Heron O. Hilário, Gustavo Rosa, Guilherme M. Santos, Gilmar B. Santos, Amanda J. S. Santos, e também do Programa de Pós-graduação em Genética da UFMG Daniel F. Teixeira e Daniel C. Carvalho, buscou avaliar quais espécies estão presentes no ictioplâncton do rio Paraopeba utilizando DNA metabarcoding de ovos e larvas de peixes provenientes de quatro pontos (PB01 à montante; PB02, 03 e 04 à jusante do local do desastre). A pesquisa é fruto de iniciação científica da estudante Aloma R. C. Silva.

Considerando todos os pontos de coleta, foram identificadas 27 espécies (18 analisando os ovos e 25 analisando as larvas), representando 72% da biodiversidade local reportada recentemente. O número de espécies foi menor no ponto a montante (PB01: 8 espécies) e aumentou em direção a jusante (PB02: 17 espécies; PB03 e PB04: 18 espécies cada). Apenas no ponto PB02, local em que a lama da barragem chega ao rio, o número de espécies em ovos (17) foi maior que o encontrado em larvas (quatro). Dessa forma, o DNA metabarcoding permitiu uma compreensão detalhada da dinâmica do ictioplâncton no rio Paraopeba no período pós rompimento da barragem de rejeitos de mineração, indicando quais espécies estão reproduzindo na bacia.

 As amostras coletadas foram triadas por ponto para a separação de ovos e larvas, que foram processados separadamente. Após a extração salina do DNA genômico, a amplificação foi realizada através de PCR utilizando dois marcadores do gene mitocondrial 12S rRNA (MiFish e NeoFish) e o sequenciamento de nova geração em uma platafotma Illumina Miniseq. Posteriormente, os dados resultantes do sequenciamento foram analisados por bioinformática utilizando um pipeline baseado no DADA2.

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