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 O que dizem os rótulos?

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Quando você vai ao supermercado comprar um alimento, tem o hábito de ler o rótulo do que escolhe? Pois saiba que entre tantos números, dados e termos - às vezes incompreensíveis - há muitas informações que impactam diretamente na sua saúde. E saber interpretá-las é o primeiro passo para uma alimentação mais saudável, como alerta Nádia Mendes, nutricionista do Laboratório de Nutrição da Unidade Barreiro. "Uma correta identificação do rotulo dos alimentos permite autonomia para melhores escolhas alimentares", afirma.

O rótulo é um mecanismo que tem a função de orientar o consumidor sobre os constituintes dos alimentos. "É um direito do consumidor, bem como é dever do fabricante informar tudo a respeito do seu produto", pontua.  No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é o órgão responsável pela regulação da rotulagem de alimentos e estabelece as informações que um rótulo deve conter, visando a garantia de qualidade do produto e a saúde do consumidor.

A Anvisa aprovou, em outubro do ano passado, a nova norma sobre rotulagem de alimentos embalados com o intuito de melhorar a clareza e a legibilidade das informações nutricionais ali presentes. A mudança mais importante diz respeito a um símbolo de lupa que deve constar na parte da frente da embalagem caso o produto em questão apresente quantidades elevadas de açúcar, sódio ou gordura saturada. A escolha de destacar esses três ingredientes tem o objetivo de alertar sobre o risco do consumo em excesso para a saúde e, assim como reforçou Nádia, permitir que o consumidor faça escolhas conscientes.

Mas, além dessa novidade, quais são as informações obrigatórias na rotulagem? A nutricionista explica item por item:

Lista de Ingredientes: deve estar em ordem decrescente, isto é, o primeiro ingrediente é aquele que está em maior quantidade no produto e o último, em menor quantidade;

Origem: informação que permite que o consumidor saiba a procedência do produto;

Prazo de validade: os produtos devem apresentar pelo menos o dia e o mês quando o prazo de validade for inferior a três meses; e o mês e o ano para produtos que tenham prazo de validade superior a três meses. Lembrando que não se deve consumir alimentos que ultrapassaram o prazo de validade estabelecidos pelo fabricante;

Conteúdo: indica a quantidade total de produto contido na embalagem. O valor deve ser expresso em unidade de massa (grama/quilo) ou volume (litro);

 Lote: é um código que identifica o processo de produção, utilizado no controle de qualidade, caso seja necessário o recolhimento do produto para análise;

Informação nutricional obrigatória: é a tabela nutricional. Nela deve conter:

Porção: quantidade média do alimento que deve ser usualmente consumida por pessoas sadias;

Percentual de Valores Diários (%VD): é um número em percentual que indica o quanto o produto em questão apresenta de energia e nutrientes em relação a uma dieta de duas mil calorias;

Medida caseira: indica a medida normalmente utilizada pelo consumidor para consumo daquele alimento. Exemplo: xícaras, colheres, fatias e unidades.

Nutrientes: substâncias encontradas nos alimentos e que possuem funções específicas no organismo, como carboidrato, proteína, gorduras, sódio, fibra, cálcio, etc.;

Valor energético: quantidade de calorias contidas em uma porção de um determinado alimento.

Além das informações nutricionais obrigatórias citadas acima, os fabricantes devem divulgar informações complementares, como a presença do corante tartrazina, do aminoácido fenilalanina, glúten, de açúcares e lactose, dentre outras exigências. "Essas informações são de extrema importância também para portadores de enfermidades, que devem ler nos rótulos dos alimentos a informação nutricional contida para verificar a presença daquele ingrediente ou nutriente que não deve consumir ou que pode consumir em baixa quantidade", explica a nutricionista.

De olho nas pegadinhas
Suponhamos que você queira, por algum motivo, comprar um alimento sem adição de açúcar. Você até escolhe um produto que tenha essa identificação, mas, ao ler a tabela nutricional, vê que um dos componentes desse alimento é xarope de milho. Saiba que você consumiu açúcar do mesmo jeito! Além de saber interpretar corretamente todas as informações, também é necessário estar atento às possíveis pegadinhas, pois, um componente pode aparecer com diversos sinônimos.

O açúcar, por exemplo, pode ser descrito, além de xarope de milho, também como açúcar invertido, açúcar mascavo, mel, sacarose, glicose, maltose, entre outros nomes, que são todos açúcares ou fontes de açúcares. E, mesmo que não esteja em primeiro lugar na lista de alimentos (lembra que ela é decrescente?) não significa que contenha em pouca quantidade. "Se na lista contiver vários desses nomes, mesmo que em posições diferentes, a somatória vai resultar em um produto com muito açúcar", alerta Nádia.

Situação semelhante pode acontecer com a gordura. O produto pode alegar ter 0% gorduras trans que, se consumida em grandes quantidades, aumenta o risco de desenvolvimento de doenças cardíacas, mas conter diversos ingredientes que podem ter este tipo de nutriente em sua composição: gordura vegetal e gordura vegetal hidrogenada, por exemplo. "Devido a algumas brechas na lei, não há padronização da terminologia para os componentes que são fontes de gorduras trans, deixando o consumidor confuso sobre o que está comendo", afirma a nutricionista.

Processados x ultraprocessados
Certamente você já ouviu falar que deve evitar o consumo de alimentos ultraprocessados. Mas, você sabe a razão dessa orientação? E, indo além, sabe diferenciar esses alimentos? O Guia Alimentar para a População Brasileira, documento elaborado pelo Ministério da Saúde, define os alimentos processados como produtos fabricados com a adição de sal, açúcar, óleo ou vinagre. São exemplos: enlatados e conservas; extratos ou concentrados de tomate; frutas em calda e cristalizadas; castanhas adicionadas de açúcar; carnes salgadas; queijos e pães feitos com farinha de trigo, leveduras, água e sal. "Essa adição torna os alimentos desequilibrados nutricionalmente. Por isso, seu consumo deve ser limitado para evitar o risco de desenvolvimento de doenças como obesidade, hipertensão, doenças cardiovasculares e diabetes", pontua Nádia.

Já os alimentos ultraprocessados são definidos pelo Guia como formulações industriais feitas tipicamente com cinco ou mais ingredientes. Em geral, são pobres nutricionalmente e ricos em calorias, açúcar, gorduras, sal e aditivos químicos, com sabor realçado e maior prazo de validade. Compõem essa seleção biscoitos, sorvetes e guloseimas; bolos; cereais matinais; barras de cereais; sopas, macarrão e temperos instantâneos; salgadinhos de pacote; refrescos e refrigerantes; achocolatados; iogurtes e bebidas lácteas adoçadas; bebidas energéticas; caldos com sabor carne, frango ou de legumes; maionese e outros molhos prontos; produtos congelados e prontos para consumo, como massas, pizzas, hambúrgueres, nuggets e salsichas; pães de forma; pães doces e produtos de panificação que possuem substâncias como gordura vegetal hidrogenada, açúcar e outros aditivos químicos. "O consumo desses alimentos deve ser evitado", orienta.

Os melhores alimentos não têm rótulos
A frase acima é consenso entre os nutricionistas. Isso porque nada mais saudável do que vem do hortifruti direto para o prato, sem adição de conservantes e outras substâncias que são nocivas à saúde. "A base ideal para uma alimentação adequada e saudável contempla os alimentos obtidos de plantas ou animais e adquiridos para consumo sem terem sofrido processamento, são definidos como alimentos in natura. Prefira sempre frutas, vegetais, carnes e ovos. E também aqueles que sofreram alterações mínimas na indústria, como moagem, secagem e pasteurização como arroz, feijão, sementes, leites", orienta.