Você sabe como ter uma alimentação consciente?

No dia 16 de outubro foi comemorado o Dia Mundial da Alimentação. A data, celebrada desde 1981, marca a criação da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e promove a conscientização de que é necessário garantir a todos o direito à alimentação saudável. Em 2020 o tema Cresça, alimente, sustente. Juntos. acendeu o alerta para esse desafio em um ano pandêmico.

Entretanto, é impossível falar de alimentação sem pensar em meio ambiente e sustentabilidade. Fica cada vez mais evidente a necessidade de se criar novos hábitos, com o intuito de oferecer acesso à alimentação de qualidade a todos e também de preservar os recursos naturais. Um triste exemplo desse desequilíbrio é o desmatamento na região da Amazônia e do Pantanal para a criação de pasto em função do agronegócio. Uma saída para esse dilema seja, talvez, a redução do consumo de produtos de origem animal.

Henrique Paprocki, professor do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde da PUC Minas, ressalta que para a diminuição do impacto ambiental, além da alternativa de redução de consumo de produtos de origem animal, outras medidas são igualmente importantes, como priorizar o consumo de produtos de origem local e a recuperação de solos . "Nós conseguimos, no mínimo, dobrar a produção agropecuária brasileira se investirmos em recuperação de solos degradados sem derrubar nenhuma árvore amazônica ou sem impactar nenhum ambiente como o Cerrado ou o Pantanal. O  está muito em foco por causa dos últimos incêndios, mas o Cerrado sofre muito com a produção agropecuária, principalmente a produção de soja", afirma.

O professor também alerta para a necessidade de modos de cultivo e produção animal mais sustentáveis. "Se não houver o consórcio entre a produção e a conservação da natureza, se não houver um acordo social para que as duas coisas ocorram, nós não vamos conseguir produzir mais. Então, tem uma série de coisas que tem que acontecer ao mesmo tempo", afirma.

Além das mudanças nos grandes processos industriais, também é de extrema importância que as escolhas individuais sejam mais conscientes e responsáveis. "A nossa cultura é extremamente baseada em carne e produtos de origem animal, como leite e ovos. Na nossa cultura ocidental, todas as refeições terão produtos de origem animal. Então, uma das iniciativas é retirar produtos de origem animal de algumas das refeições, o que faz bem para a saúde e para o meio ambiente", sugere. Iniciativas como a campanha Segunda Sem Carne podem ser um pontapé para o início dessa mudança de hábitos. "Se um sétimo do consumo de carne deixar de existir porque as pessoas passaram um dia da semana sem consumir, já é um impacto muito importante na redução desta produção. É claro que tem um papel da educação, no fato de as pessoas perceberem que passar um dia sem carne não mata ninguém e é uma maneira de contribuir com uma menor degradação ambiental e deixar uma dívida ambiental, um passivo ambiental menor para as próximas gerações", opina Paprocki.

O papel da proteína na saúde

Seja de origem animal, seja de origem vegetal, a proteína é um macronutriente fundamental para a o funcionamento do corpo humano. Entretanto, deve ser consumido de forma equilibrada. "O consumo excessivo de proteína, especialmente aliado à restrição de carboidratos, pode levar a um acúmulo no nível de substâncias tóxicas. Pode também predispor o aparecimento de dislipidemias, que é a elevação nos níveis de lipídeos, como o colesterol e dos triglicerídeos", explica Nádia Mendes, funcionária da Clínica de Nutrição da Unidade Barreiro, que também explica que a deficiência de proteína é incomum no mundo ocidental, cuja dieta, sobretudo a brasileira, costuma ser hiperproteica. "Somente os idosos, veganos com dieta não equilibrada, atletas e pessoas com certas condições como transtornos alimentares, estão em risco para um consumo deficiente de proteína, o que pode causar alterações na composição corporal que se desenvolvem por um longo período de tempo, como perda de massa muscular", explica.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição, as recomendações nutricionais para a população brasileira para homens e mulheres com idade igual ou superior a 18 anos é de 1 g/kg/dia de proteína. É importante alertar, entretanto, que o cálculo de proteínas é realizado mediante avaliação nutricional, na qual é possível avaliar a saúde do indivíduo e reconhecer quais as necessidades alimentares.

Para quem deseja reduzir ou até mesmo restringir a ingestão de proteína animal, Nádia Mendes afirma que é possível atingir o equilíbrio e a adequação nutricional, desde que as dietas sejam bem planejadas e, se necessário suplementadas. "Algumas situações merecem atenção especial: a dieta vegetariana vegana não apresenta fontes nutricionais de vitamina B12, que deve ser fornecida por meio de alimentos fortificados ou suplementos Deve haver atenção também para cálcio e proteína. Os elementos que exigem maior atenção na alimentação do ovolactovegetariano são ferro, zinco e ômega-3", informa Nádia, que endossa que "cabe ao nutricionista orientar o planejamento alimentar dos indivíduos, visando à promoção da saúde, respeitando as individualidades e opções pessoais quanto ao tipo de dieta".

E quais são essas fontes de proteína? Os alimentos mais ricos em proteínas são os de origem animal, como a carne, o peixe, ovo, leite, queijo e iogurte. "Isso porque, além de conter grande quantidade desse nutriente, as proteínas desses alimentos são de alto valor biológico, isto é, são de maior qualidade, sendo utilizadas pelo organismo mais facilmente", explica. No entanto, também existem alimentos de origem vegetal que contêm proteínas, como é o caso das leguminosas, como ervilhas, soja e grãos.