Segundo estudos realizados pelo psicólogo Daniel Goleman, autor do livro A Inteligência Emocional, 90% da diferença entre as pessoas que obtém grande sucesso pessoal e profissional daquelas com desempenho apenas mediano se deve a fatores relacionados a competências comportamentais, mais do que às habilidades aprendidas na escola.
O conjunto dessas competências é o que podemos chamar de Inteligência Emocional. Elas têm cinco componentes principais: Autopercepção – que é a capacidade das pessoas conhecerem a si próprias, em termos de seus comportamentos, frente às situações de sua vida social e profissional, além do relacionamento consigo mesmo; Autocontrole – ou capacidade de gerir as próprias emoções, seu estado de espírito e seu bom humor; Auto-motivação – capacidade de motivar a si mesmo e realizar as tarefas e ações necessárias para alcançar seus objetivos, independente das circunstâncias; Empatia – habilidade de comunicação interpessoal de forma espontânea e não verbal e de harmonizar-se com as pessoas; Práticas sociais – capacidade de relacionamento interpessoal e de trabalho em equipe.
Analisando esses fatores comportamentais que compõem a inteligência emocional, percebe-se que eles estão intimamente relacionados ao sucesso e às realizações pessoais. Em qualquer área da atividade humana, pessoas com estrutura emocional sólida conseguem melhor produtividade e, por isto, destacam-se entre as demais.
Um esportista que não estiver bem, emocionalmente, mesmo sendo um atleta de destaque, dificilmente obterá vantagem sobre aquele que se apresentar com alto quociente emocional. Também nas empresas ocorre o mesmo. O profissional instável emocionalmente tem sua produtividade prejudicada ao desempenhar suas funções. Enquanto o indivíduo emocionalmente inteligente consegue mobilizar o que sente de forma estratégica, com o objetivo de alcançar suas metas. Ele reconhece, aceita e gerencia suas emoções.
Para Jussara Maria de Fátima César e Melo, professora do curso de pós-graduação em Psicologia Analítica do IEC PUC Minas, a inteligência emocional está diretamente relacionada aos complexos afetivos, que são agrupamentos de pensamentos e sentimentos inconscientes, carregados de energia psíquica, atraídos entre si.
“Um complexo afetivo corresponde à imagem de uma determinada situação psíquica composta de forte carga emocional, que, por ser inconsciente, é incompatível com as disposições ou atitudes habituais da consciência. Por isso, ao ser ativado, o complexo adquire certa autonomia de organização e autonomia de funcionamento, chegando a capturar o indivíduo em uma armadilha, deixando-o à sua mercê. Neste caso, o indivíduo deixa de ter o complexo; é o complexo que vai possuí-lo. O resultado disso são explosões emocionais, ações compulsivas, pensamentos obsessivos, perda do auto-controle e comportamentos inadequados, entre outros”, explica Jussara. “Isso acontece porque a ativação de complexos implica em um estado perturbado da psique, especialmente da consciência. Na presença de um complexo rompe-se a unidade da consciência e se dificultam as intenções da vontade, quando não se tornam de todo impossíveis. Até a memória pode ser afetada. Este fenômeno não é raro e costuma ser descrito pelas pessoas como um estranhamento de si mesmo, por se tratar de um aglomerado inconsciente de sentimentos e pensamentos antagônicos que determinam ações. Geralmente esse fenômeno psíquico é traduzido pela expressão ‘não sei o que deu em mim’ ou ‘perdi a cabeça’ e o resultado disso pode ser desastroso”, enfatiza.
Segundo a psicóloga, os profissionais que souberem lidar melhor com seus complexos estarão mais aptos a desempenhar suas funções na empresa e se relacionar com os outros em seu trabalho, porque aquele que consegue distinguir seus próprios complexos - e assim minimizar suas projeções sobre o outro - reconhece a alteridade daquele que fala, o que lhe permite confrontar as averiguações mútuas e desenvolver o trabalho em equipe e melhor atender aos interesses da empresa, otimizando os resultados.
18/11/2008
Como Desenvolver a Inteligência Emocional, de Jeanne Segal
As pessoas estão a tornar-se cada vez mais conscientes de que a capacidade de sentir é tão vital para o seu bem-estar como a de pensar. Porém, mesmo podendo compreender a importância das emoções, poucas pessoas conseguem dominá-las. Utilizando um programa de técnicas simples desenvolvidas ao longo de anos de pesquisa, Jeanne Segal mostra-nos o caminho para a verdadeira inteligência emocional.
“A pessoa que conhece os próprios sentimentos tem mais condições de lidar com o outro e com a própria equipe. Normalmente, pessoas mais impulsivas que não têm controle sobre os próprios sentimentos podem ter atitudes desastrosas dentro da empresa, não conseguindo, assim, atingir seus objetivos. Aquele que tem conhecimento sobre inteligência emocional, tem mais claro o que deseja. Consegue de seus colaboradores uma energia voltada para seus objetivos. Diferente daquele que não tem conhecimento de si mesmo e de seus sentimentos. Este está sujeito a ter reações que ele próprio não controla”.
Pedro de Oliveira Neves – curso de pós-graduação em Psicologia Analítica Junguiana
“Percebo que as pessoas que têm conhecimento sobre inteligência emocional, que fazem psicoterapia ou que buscam se conhecer conseguem realizar o trabalho de forma mais tranqüila, mais dinâmica, mais estruturada do que aqueles que não realizam um processo de auto-conhecimento. Acho que estão muito presentes, hoje em dia, pessoas que ficam alienadas delas mesmas, não se preocupando com seus sentimentos e emoções. Percebo que essa alienação chega ao limite quando o ser mais íntimo da pessoa começa a bater na porta querendo arrombá-la. Quando chega a essa situação, a pessoa vai perdendo as próprias capacidades, prejudicando, assim, sua vida pessoal e a relação no trabalho”.
Guilherme Wykrota Tostes - curso de pós-graduação em Psicologia Analítica Junguiana