​Alberto A. G. Grossi, professor do M.Eng. em Engenharia de Qualidade


Alberto A. G. Grossi  é engenheiro Eletricista, formado na PUC em 1977. Trabalhou 37 anos na indústria, tendo passado pelas áreas de manutenção eletromecânica e instrumentação de controle de processos, coordenação de projetos e Sistemas da Qualidade, atuando como especialista e gerente.  É especialista em Gestão Empresarial pela FGV e em Estatística pela UFMG. Em 2004 iniciou a vida acadêmica universitária.  Por três anos trabalhou como consultor para pequenas empresas na área de Sistemas da Qualidade, preparando os sistemas de gestão das empresas para se adequarem à norma ISO 9001 e provendo treinamento para as equipes de trabalho em normas da família da ISO 9000, sistema da qualidade, auditoria da qualidade e sistema de medição. 

Como a Engenharia da Qualidade pode contribuir para o crescimento do país?

Acho que o Japão é um bom exemplo a ser citado. Para responder esta pergunta, é necessário voltar no tempo: no início da década de 1950, dois importantes engenheiros da indústria americana responsáveis pelo desenvolvimento de muitas técnicas e conceitos da qualidade, foram ao Japão para treinar os gerentes, engenheiros e técnicos da indústria japonesa. O país estava arrasado pela Segunda Guerra Mundial e precisava exportar seus produtos para manter a economia e tinha que criar um ambiente para sustentar o povo japonês. Os produtos japoneses eram conhecidos pela má qualidade. 

Por meio da JUSE (Union of Japanese Scientists and Engineers), W. Edwards Deming  e Joseph M. Juran  levaram para o Japão as técnicas e conceitos de engenharia da qualidade desenvolvidas nos Estados Unidos e fortemente usadas pela indústria militar americana, mas pouco usadas pela indústria convencional. Milhares de técnicos, engenheiros e empresários japoneses foram treinados em Estatística, Controle Estatístico de Processo, Amostragem, Métodos de Gestão como PDCA, TQC etc. Juntamente com os conhecimentos e valores da cultura japonesa e a ajuda de alguns brilhantes cientistas japoneses, a indústria japonesa passou por uma rápida e gigantesca transformação. Em pouco mais 25 anos, os produtos japoneses invadiam o mercado americano, colocando lá, produtos de qualidade igual ou superior com preço mais baixo que os produtos americanos. O Japão cresceu vertiginosamente. 

O produto japonês virou sinônimo de boa qualidade e referência para todo o mundo. A indústria automotiva e de eletrodomésticos americana sofreu terrivelmente com a concorrência japonesa dentro de casa, forçando o governo americano a tomar providências para alavancar a produtividade e qualidade da indústria americana. As mesmas técnicas e conceitos desenvolvidos pelos americanos e aplicados no Japão foram agora aplicados na própria indústria. Muitos dos conceitos, ferramentas e modelos de gestão usados atualmente nas indústrias mais competitivas do mundo foram desenvolvidos ou aprimorados pelos japoneses. Processos semelhantes de treinamento e investimento na educação foram vividos pouco tempo depois pela Coreia do Sul e algo semelhante está acontecendo atualmente com a China.  O Brasil precisa caminhar nesta mesma direção para aumentar a qualidade de nossos produtos e serviços e aumentar a produtividade para tornar nossas empresas competitivas e capazes de sobreviver no mercado global. 

Quais os benefícios do M.Eng. em Engenharia de Qualidade para os profissionais do mercado? 

Recomendo o curso de Engenharia da Qualidade para os profissionais de qualquer área e cito três aspectos importantes. Em primeiro lugar o estudante do curso de Engenharia de Qualidade se sentirá um profissional muito mais completo, com uma visão mais ampla e clara sobre o caminho para as empresas ganharem qualidade e produtividade para se manterem competitivas e vivas no mercado cada vez mais global. Em segundo lugar,  tenho absoluta certeza que, depois de concluído o curso com sucesso, o profissional se sentirá realizado e satisfeito o grande esforço feito ao longo do curso, pois venceu um desafio que poucos conseguem vencer. Em terceiro lugar, é o fato de este profissional ter a sua empregabilidade aumentada. Especialistas ou gestores de sistemas da qualidade são profissionais muito valorizados pelo mercado. É diferencial muito grande. Os requisitos da qualidade não estão ligados somente aos produtos industriais como acostumamos nos referir costumeiramente. Eles também estão cada vez mais exigidos na prestação de serviços. Assim o curso de Engenharia da Qualidade não está voltado apenas para os engenheiros. É um curso voltado para qualquer profissional.

Como a Engenharia da Qualidade pode contribuir para o sucesso das organizações?

Considerando que as organizações são aglomerados humanos que se juntam para criar um ambiente propício para sobreviverem em um meio cheio de intempéries, é razoável pensar que a sobrevivência está relacionada com a conquista dos consumidores do mercado. Para conquistar os consumidores é necessário ser competitivo, ou melhor, ser mais competitivo que os concorrentes.  Para se tornar competitivo é necessário que sua empresa tenha elevada produtividade. A Qualidade, aqui no seu sentido bem amplo (projeto perfeito, fabricação perfeita, segurança do cliente, assistência técnica perfeita, entrega no prazo e preço baixo), é o grande indutor da produtividade. Agregando valor e gerando a alta qualidade teremos maior faturamento e menor custo de produção e consequentemente maior produtividade. A produtividade pode ser aumentada, melhorando os três elementos que constituem a organização, ou seja: o HARDWARE (instalações), o SOFTWARE (procedimentos) e o HUMANWARE (ser humano). Ela pode, então, ser aumentada pelo aporte de capital para se comprar equipamentos mais eficientes e modernos ou pelo aporte de conhecimento para se melhorar os procedimentos e o ser humano. No primeiro caso nem sempre o aporte de capital é o melhor negócio.  No segundo caso, o aporte de conhecimento produz retorno elevadíssimo acontecendo de forma lenta e gradual devido as limitações humanas. É no aporte de conhecimento que entra o conhecimento da Engenharia da qualidade. Esta é visão do TQC japonês (Total Quality Control) que valoriza sobremaneira a educação e o treinamento do funcionário para aumentar a produtividade das organizações.

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